terça-feira, 21 de julho de 2015
E a propaganda de margarina!
O ano agora é 2015. Não me dei ao trabalho de conferir a data da última postagem, mas sei que faz tempo. Bastante tempo. Quando criei esse blog, ser blogueira nem existia no vocabulário.. hihihi.. comecei a escrever por me sentir sozinha quando queria falar e sempre tive comigo um sentimento de que essa minha amarga experiência não poderia ser inútil, em vão, apenas para o meu aprendizado de vida, coisas assim. Desde o momento que decidi (meio que obrigada pelas pessoas que me viam presas a mesma situação por anos, pelas circunstâncias, enfim.. por tudo, menos por querer.. por EU querer..) travar essa luta comigo mesma, me parecia sensato que o meu entendimento da situação, visto do lado de quem apanha (forte né.. mas é isso, visto através dos meus olhos roxos e pela minha mente perturbada), sair dessa, na boa, cara, é difícil. Quase insano. Mas enfim, SIM, nós podemos, conseguimos, e saímos de uma relação assim, doida.
Movida por essa sensação profunda de que falta a muita gente informação acerca de mulheres que amam demais, o intuito de dividir minha vida íntima e pessoal com qualquer pessoa, é pura e simplesmente dizer que apesar de nos mostrarmos submissas, frágeis, quase abestadas durante uma relação abusiva, somos uma pantera desgovernada quando a situação inverte-se. Quando acontece o "click", corram.. rs. Porque nossa dor derrama-se de forma tal que atinge quem a nossa volta estiver. Sem dó nem piedade, o caminho de volta é longo, dolorido, quase um luto. É isso, nós, mulheres assim, que aceitam viver sob humilhações diárias, somos VIÚVAS DE MARIDO ( cada qual com sua denominação kkkk) VIVO durante esse processo de retomada da própria vida, tipo assim, entendem!
Ficamos submersas em nossos pensamentos, que vem o tempo todo acelerado, e cheio de perguntas sem respostas.. mas, mulheres, as respostas aparecerão por si só durante a busca de nós mesmas.. e posso garantir, cada uma das respostas, no meu caso pelo menos, eram sempre muito doídas e desagradáveis de aceitar.. a primeira das respostas, e a que acabei lembrando durante todo o processo e a qual lembro-me até hoje, quando me surgiu, veio da pergunta que eu sempre me fazia mas nunca encontrava a porcaria da resposta.. o que eu mais queria saber era por que isso tudo estava acontecendo comigo.. qual a razão de ser tão maltratada, humilhada, ignorada, machucada, no sentido literal e real da palavra, física, mentalmente, espiritualmente.. e a resposta que eu não achava, talvez porque eu simplesmente não quisesse foi o que todos sempre me diziam: PORQUE EU PERMITIA. Eu deixava. Contra todos os valores morais que eu considerava ter, eu deixava aquele homem que eu tanto amava, mandar em mim, porque assim, acreditava que as brigas diminuiriam, as traições, acabariam, afinal, eu era esposa, mãe da filha dele, minha doce menina que hoje tem onze anos, (tá, já não tá tããão doce assim.. kkk), e estava sempre ali, cuidando da casa, da nossa filha, cozinhando, trabalhando fora, enfim, vivendo maritalmente com ele, e ser subjugada e diminuída quase que diariamente não estava cabendo no meu mundo de fantasia, naquele casamento lindo e adorável de propaganda de margarina, ou os finais de novela que sempre eram felizes!!! Ah, o meu também deve ser, então, dentro de toda beleza que almejava para a minha vida de mãe e esposa, eu deveria ceder, eu deveria ter paciência, porque sem dúvida, as coisas uma hora iriam melhorar.. eu só não sabia que isso ia acontecer quando eu me LIBERTASSE.
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